33 Revoluções

 

texto: Canek Sánchez Guevara

tradução e introdução: Viriato Teles

 

8,91

Sinopse

Canek Sánchez Guevara levou sete anos a completar a novela 33 Revoluções. Começou a redigi-la em Sadirac, uma aldeia dos arredores de Bordéus, França, em finais de 2007, e deu-a definitivamente por terminada em 2014, na Cidade do México, poucos meses antes de falecer prematuramente, aos 40 anos, em janeiro de 2015. Trata-se do mais depurado dos textos que escreveu (novelas e contos, alguns poemas, ensaios, crónicas de viagem), a sua obra mais definitiva, e a primeira publicada em Portugal. 33 Revoluções é o relato do dia-a-dia enfastiado de um burocrata numa cidade e numa ilha onde tudo se repete, como num disco riscado. A cidade cenário desta novela é a Havana dos anos 90 do século xx, ainda que o nome dela nunca seja referido, e o tédio, a frustração e o desencanto do protagonista pudessem acontecer em outros lugares do mundo. Com uma escrita ritmada e seca, 33 Revoluções apresenta uma visão crua e desencantada da vida em Cuba, mas recusa o dualismo das paixões extremas em que, como escreveu Canek, «parece haver só duas opiniões em confronto, quando na verdade são muitas mais as vozes participantes, abafadas pela gritaria de ambos os lados.»

Críticas e imprensa

«Esta curta novela póstuma do neto de Ernesto Che Guevara tem tanto de autobiográfico como de alegórico, desvendando um autor munido de uma ampla capacidade sintática e eficaz agilidade na linguagem.» *****

João Morales, Time Out

«A novela 33 Revoluções é a obra maior do autor, e levou sete anos a concluir. A escrita precisa e depurada de Canek desenha uma espécie de fábula kafkiana, um retrato do desencanto de uma geração cubana que acreditava nos ideais da revolução castrista. […] A escrita de Canek veste-se de uma grande clareza e rigor, é uma linguagem muito própria, minuciosa, carregada de imagens e expressões inspiradas. O ambiente de mal-estar é subtilmente definido, sem comentários morais ou soluções paternalistas. É um livro que nos transporta com grande nitidez para uma ilha onde tudo parece bloqueado — um país onde a imagem de Che Guevara está em todo o lado, mas a verdadeira revolução teima em não aparecer. Nota positiva para a excelente introdução de Viriato Teles, que nos ajuda a perceber o contexto histórico e biográfico do livro e do seu malogrado autor.»

Nuno Camões, Deus Me Livro [ler o texto completo]

 

Entrevista de Mariana Oliveira com Viriato Teles, no programa Razão de Ser, na RDP Antena 3 [ouvir o podcast]

Entrevista de Fernando Alves com Viriato Teles, na TSF [ouvir o podcast]

Mário Rui Cardoso, «Nem Pátria nem Morte», RDP Antena 1 (inclui entrevista com Viriato Teles) [ouvir o podcast]

Canek Sánchez Guevara

Canek Sánchez Guevara

Nascido em Cuba em maio de 1974, Canek Sánchez Guevara chamou, inicialmente, a atenção do mundo por uma questão genética: era neto do icónico guerrilheiro argentino Ernesto Che Guevara (1928-1967), que se tornou imagem de marca dos ideais românticos da revolução cubana. A essa condição, suficiente para aguçar a curiosidade, juntava-se a visão muito crítica do regime de Fidel Castro, que Canek nunca escamoteou, embora recusasse fazer disso um modo de vida. Politicamente, definia-se como «anarquista, libertário, liberal ultrarradical, democrata subterrâneo, comunista-individualista, ego-socialista. Enfim, qualquer coisa que não me seja imposta e que eu não possa impor aos demais.» Com uma infância repartida por vários países e a adolescência vivida em Cuba, Canek saiu definitivamente da ilha em 1996, um ano após a morte da mãe, Hilda Beatriz Guevara Gadea e encetou o seu próprio caminho de «vagabundo profissional, observador internacional, antropólogo urbano, filósofo de supermercado, cronista do que carece de interesse, escritor de nada em concreto». Andarilho, anarquista, músico com passagens por bandas punk e de heavy metal, Canek também morreu prematuramente (aos 40 anos, em janeiro de 2015), deixando inédita uma obra que prometia fazer dele, por mérito próprio, uma das vozes mais estimulantes da nova literatura latino-americana.

Informação adicional

Referência

9789898881007

Páginas

128

Formato

16×21 cm

Encadernação

brochado

Data de edição

outubro de 2017